"life would be a great adventure"

domingo, 20 de fevereiro de 2011

... NESTA BUSCA UM DO OUTRO.

por: Jorge Fontelles

Ele entra na vida da gente e deixa suas marcas – digitaliza emoções e imprime no invólucro do coração a essência do sentimento... Quando chega sutil como a brandura da pompa e foge, sagaz como peçonhenta serpente... – “O Amor seja como for é Amor, assim dizia Drummont”. E por mais que incomode, não me furtaria viver os doces e verdadeiros momentos em que o “amor – imbatível amor”, bateu a minha porta...
Seus beijos eram doces e salivavam essências hormonais que misturadas ao suor dos corpos em movimentos sincronizados e por vezes desconectos, liberava o perfume que acasalava minha alma à sua – Podia eu querer tanto assim... ?
Minha bica percorria a geometria do seu corpo desenhando na saliva vibrações que minhas mãos descrentes assimilavam no contato com a exógena percepção da carne... Não foi preciso muito tempo, nem tempo algum – o tempo parou... São momentos em que as palavras não registram a intensidade jogada pelo olhar luzente da fome de possuir.
As roupas jogadas pelo chão foi o terno e febril caminho que nossos passos marcaram para nos perdermos entre lençóis e fronhas embebidas de fragrâncias amadeiradas. Os segredos confessados por nossas bocas, seladas em frenéticos beijos, para sempre ecoarão naquele quarto, em que os últimos raios de sol, rompendo a vidraça, estilhaçavam-se em cores mil, abençoando... Cada gemido intercalado aos ofegantes fluxos de respiração, fez de nós emoção premiada de pecados virginais e estremecidos pelo calor envenenado. Deixamos o orgasmo penetrar os poros na intimidade do coração. O banho foi o açoite que lavou o cansaço do galope em que meus braços longos e viris seguravam as extremidades do seu corpo para despencar junto ao leito em chamas. Sem sossego nem remorso recomeçamos tantas quantas foram as investidas felinas e bravias. Um hino de palavras ditas ao pé-do-ouvido misturavam-se ao estalar dos beijos, dos sussurros, gemidos e gritos, uma canção a ecoar pelo quarto, avançando noite adentro.
Afrodite cedeu lugar a Morfeu e entrelaçamos os braços, calamos as bocas e tudo mais adormeceu. Distante a quilômetros desse sonhado e desejo amor, deito o olhar por sobre a vidraça entreaberta do quarto de dormir e despejo a emoção nas velhas fronhas quando a saudade sonoriza o hino de palavras, qual seja, a velha canção a ecoar para perder-se noite adentro.


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achei perdido aqui nos meus arquivos...
bjão Jorge.. vc eh incrível ^^

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